Há momentos de negror e solidão. Quando chega a melancolia e a gente fica absorto, introspectivo, parecendo ave triste, faz bem um lugar sombreado, silencioso e tranquilo. Mas bom mesmo é buscar a Luz. No caminho é que um anjo nos diz: a gente nunca está sozinho.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
PRA CLAREAR
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Há momentos de negror e solidão. Quando chega a melancolia e a gente fica absorto, introspectivo, parecendo ave triste, faz bem um lugar sombreado, silencioso e tranquilo. Mas bom mesmo é buscar a Luz. No caminho é que um anjo nos diz: a gente nunca está sozinho.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
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ASSIM FALAVA MEU PERIQUITO
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ASSIM FALAVA MEU PERIQUITO
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Tive um periquito australiano, desses que nascem em cativeiro. Mas o meu foi criado solto até perceber para que serve um par de asas. Logo nos primeiros vôos ganhou o mundo para se juntar a outros passarinhos.
Dizem que periquitos não falam, como os papagaios. Pois o meu, além de falante, era de uma sabedoria e tanto. Em várias situações soprou-me, em tom suave e baixinho, coisas de arrepiar, verdades incontestáveis que até hoje ecoam em meus ouvidos. Com ele aprendi, por exemplo, que no reino animal os seres geralmente são bem parecidos: têm corpo, com entranhas e membros, e uma cabeça, com olhos, ouvidos, boca e miolos.
Nesse sentido, bicho e gente se parecem mesmo. Mas a vida do bicho-gente não combina em nada com a do bicho-bicho. Bichos não contam (acho que nao contam) intervalos do tempo, nem dias e semanas e meses e anos, nem interfere de forma brutal na natureza. Já o bicho-gente, que se julga racional e senhor de tudo, vive na maior correria. E como perpetua a idéia de que é preciso batalhar feito máquina pela sobrevivência, custe o que custar, se avolumando cada vez mais em manadas neste sentido, principalmente nas grandes cidades.
Nesse sentido, bicho e gente se parecem mesmo. Mas a vida do bicho-gente não combina em nada com a do bicho-bicho. Bichos não contam (acho que nao contam) intervalos do tempo, nem dias e semanas e meses e anos, nem interfere de forma brutal na natureza. Já o bicho-gente, que se julga racional e senhor de tudo, vive na maior correria. E como perpetua a idéia de que é preciso batalhar feito máquina pela sobrevivência, custe o que custar, se avolumando cada vez mais em manadas neste sentido, principalmente nas grandes cidades.
De fato. Gente se amontoa diariamente como gado nas ruas, escancarando tristeza crônica e indiferença, sobretudo nos períodos em que se locomove entre casa e trabalho. Cada um com seu fardo de interesses e ressentimentos, agindo com uma gana astuta que é de fazer dó, preso a um sistema que aliena e escraviza.
Meu periquito sempre achou a vida urbana artificial e caótica, alimentada pela hipocrisia de uma lógica consumista que não dá pra aceitar como coerente. E ficava fulo de ver como, na contramão desse pensamento, cada vez mais pessoas se tornam urbanas e materialistas. Com toda razão, ele não se cansava de me dizer que o bicho-gente ainda vai se dar muito mal por conta disso.
domingo, 24 de janeiro de 2010
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TOCANTINS
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TOCANTINS
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contempla...
o rio que serpenteia
rompe a lonjura dos montes
até se perder no horizonte
em sua fluidez de veia
e na prenhez que encerra
nutre o seio da terra
turva-se, encorpa, largueia
mas de calhar sabe o instante
pra fartura da vazante
aprende...
pra que o rio flua
há que ser constante
desde a pequena fonte
e até na seca da vau nua
deve segredar um jeito
de substanciar-se leito
mesmo pouco, fraco ou ralo
assim deve ser o verbo
- feito veio d’água
o rio que serpenteia
rompe a lonjura dos montes
até se perder no horizonte
em sua fluidez de veia
e na prenhez que encerra
nutre o seio da terra
turva-se, encorpa, largueia
mas de calhar sabe o instante
pra fartura da vazante
aprende...
pra que o rio flua
há que ser constante
desde a pequena fonte
e até na seca da vau nua
deve segredar um jeito
de substanciar-se leito
mesmo pouco, fraco ou ralo
assim deve ser o verbo
- feito veio d’água
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
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Gritaram "olha o tubarão!!!"
e sai da água pulando.
Era gaivota tibungando.
Todo sem graça, ressabiado,
olhei em volta para saber
que sacana me pôs a correr.
Ainda um tanto assustado,
não vendo ninguém por perto
enfim aliviei... "ô bicho esperto!"
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Gritaram "olha o tubarão!!!"
e sai da água pulando.
Era gaivota tibungando.
Todo sem graça, ressabiado,
olhei em volta para saber
que sacana me pôs a correr.
Ainda um tanto assustado,
não vendo ninguém por perto
enfim aliviei... "ô bicho esperto!"
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Foto: gaivota pescando no Araguaia / Nikon D50 / Rezende
domingo, 17 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
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Tem quatro teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo aguenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.
MANOEL DE BARROS
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foto: silhueta de árvore ao entardecer em Palmas - To / Nikon D50 / Rezende
COM QUE OLHOS VOCÊ VÊ?!
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Embalado ao som de um bom fole,
com zabumba, triângulo e pandeiro,
há quem faça verso e até rebole
de gratidão pela vida, o ano inteiro.
Mas tem gente completa de nascença
que cresceu com uma doença:
a de não ver nada além do que pensa
e quer pra si, com toda indiferença.
O ser humano é mesmo desse jeito...
às vezes quem não tem nenhum defeito
é quem mais reclama e lastima.
Você se enquadra nesta rima?
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Seu Joaquim é "cego" assumido e acha que esse papo de “deficiente visual” é frescura, um invento da hipocrisia. Para ganhar o pão de cada dia, toca sanfona e canta nas feiras de Palmas. Seu Joaquim é daqueles sujeitos que vêem com os olhos da alma. E você?!
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